PERFORMANCE PARA ESPAÇO RESTRITO
performance, videoinstalação, 2006
Performance de dois corpos em espaços restritos: o dos próprios corpos, o da arquitetura do espaço (uma bancada de concreto de 2,0m X 50cm X 5 cm contra uma parede) e o das telas das 3 câmeras de vídeo. Performance de dois corpos, que, no vídeo, não são corpos possíveis: são corpos cortados, decupados e recombinados através da instrumentalidade da tecnologia, dados no espaço entre o que a mente deseja e o que o corpo não consegue cumprir. A performance desses corpos impossíveis é recriado no da galeria.
Infos:
Este projeto é uma videoperformance, no que se refere não só à presença da tecnologia como parte integrante do suporte para a performance, mas também como parte do corpo ‘estendido’ em suas habilidades de criar movimentos. Não se trata de performance para vídeo, arriscando um caráter meramente de suporte tecnológico ou documental da performance. A videoperformance determina a própria condição física e forma dos corpos, além de gerar seus movimentos.
Baseada numa performance para dois corpos e três câmeras, o projeto extrapola os limites físicos do corpo através da sua reprodução videográfica.
Stella Senra diz que no vídeo “não são corpos inteiros, não são...São antes o resultado de uma mutilação invisível e indolor, onde se inaugura uma desproporção do mundo”(). Os corpos dos performers, incapazes de obedecer a dimensão criativa da mente – seja pela falta de técnica corporal (o corpo do videomaker), seja pelos limites do espaço onde se dará a performance (uma bancada de concreto de 3,00x50x6cm presa contra a parede), seja pela força da gravidade e pelo desconforto da proximidade entre as câmeras e os corpos (50cm) – usam a instrumentalidade da tecnologia para criar, através de um “pas de deux” entre corpos inteiros, um solo para um corpo cortado, decupado, misturado e recombinado. Assim, vislumbramos uma videoperformance para um corpo impossível em “um mundo em desproporção”, o do vídeo.
A intenção de realizar esse projeto se materializou em conversa entre Luiz Duva e Daniela Castro sobre a possibilidade de dois corpos tornarem-se um só, não somente através de efeitos especiais de trucagem na edição, mas através da experiência real desses corpos ocuparem um mesmo espaço-tempo-físico. Para isso, pensamos que nossos corpos, ora um, ora o outro, e depois os dois juntos, sejam gravados com 3 câmeras simultâneas numa seqüência de movimentos a se passar de forma improvisada dentro de um espaço restrito: o do espaço da performance e o do quadro (enquadramento) de cada uma das 3 câmeras paralelas.
O suporte de exposição desse trabalho consiste na recriação do espaço físico onde ocorreu a performance (a bancada de concreto, 3 cadeiras e livros específicos que serviram de suporte para as câmeras). Na galeira, a performance ocorre dentro da câmera. A ausência dos corpos que ocuparam uma vez essa bancada é “gravada” pela sua presença – agora cortada, decupada e recombinada - dentro das câmeras. Com isso, assumimos que a tecnologia não é simples mediadora entre idéia e resultado da obra, nunca é neutra como instrumento de documentação, nem como suporte de exibição. Aceitando a presença dos corpos nesse espaço, assumimos nossa condição de “infobodies” no contexto tecnobio-político atual.
Corpos, Cinema e Vídeo. In Políticas do Corpo, org. Denise Bernuzzi de Sant’Anna.
São Paulo: Estação Liberdade, 2005.
Exibida na:
_MOSTRA VERBO 2006.
Curadoria de Daniela Labra.
Galeria Vermelho. São Paulo.
Créditos:
_Performance de: luiz duVa e Daniela Castro.
_Câmera e edição: luiz duVa e Daniela Castro.